drama
cansaço.
tristeza.
raiva.
medo.
impotência.
fracasso.
dúvida.
fome.
desilusão.
desespero.
angústia.
arrependimento.
desmotivação.
apatia.
frio.
vergonha.
irritação.
impaciência.
impulsividade.
culpa.
desamparo.
sono.
recebi-vos, hoje,
de corpo (entre)aberto.
escancarada, alma a dentro.
fizemos tudo juntos,
ninguém ficou de fora.
alimentei-vos com a comida que comi,
dei-vos tudo o que tinha.
tanto,
que foram embora,
satisfeitos.
tristeza.
raiva.
medo.
impotência.
fracasso.
dúvida.
fome.
desilusão.
desespero.
angústia.
arrependimento.
desmotivação.
apatia.
frio.
vergonha.
irritação.
impaciência.
impulsividade.
culpa.
desamparo.
sono.
recebi-vos, hoje,
de corpo (entre)aberto.
escancarada, alma a dentro.
fizemos tudo juntos,
ninguém ficou de fora.
alimentei-vos com a comida que comi,
dei-vos tudo o que tinha.
tanto,
que foram embora,
satisfeitos.
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| texto: Ela imagem: Paco Pomet |
não lugar
haverá matéria suficiente,
espaço adequado,
ou tempo acertado?
espaço adequado,
ou tempo acertado?
existirão almas despertas,
intelectos acordados,
ou vidas preparadas?
intelectos acordados,
ou vidas preparadas?
palavras
(capazes)
frases
(fiéis)
ou parágrafos?
(dignos)
(capazes)
frases
(fiéis)
ou parágrafos?
(dignos)
haverá coragem para acreditar,
ousadia para pregar
ou força para aguentar?
poesia
às vezes esqueço-me que nem sempre posso ser Poeta.
comporto-me para com a minha poesia como a mãe que vive a vida do filho ou como o pai que se esquece dela.
esquecendo a fluidez graciosa e suficiente que une cada átomo da palavra bem concebida.
ou segregando todos os mundos necessários, numa perspectiva estupidamente antropomórfica e, por isso, descontextualizada, da geração poética.
soluções para evitar poesia filha de pais disfuncionais?
ser uma filha exemplar e ir a casa dos pais comer nozes, por exemplo.
ao invés de forçar os dedos a deturpar o "desejo de comer nozes", tornando a realidade mais implacável que um quebra-nozes e, pior, esquecendo o seu sabor.
em detrimento disso, por entre a arte da mãe e a determinação do pai, uma vez retiradas cascas, películas e afins, surgiria a noz, nua e crua.
vulnerável a todo e qualquer contorno ou protuberância poética.
cinzenta e eficiente.
espera
é como se alguma coisa me chamasse,
como se nunca tivesse deixado de chamar,
mesmo depois de tanto silêncio.
como se sempre tivesse existido,
como se sempre tivesse existido,
mesmo antes de ser inventada ou concebida.
perde-se,
encontra-se numa vaga-concreta sensação de omnipresença,
em ténues reencontros,
que, em tom de despedida,
traçam trilhos onde cada fuga sabe a um abraço.
são coisas que acontecem a quem espera por si próprio.
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| texto: Ela imagem: Joe Webb |
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